Continuo a procurar


E por mais que o tempo passe, que o vento mude, ou as folhas terminem de cair o que eu procuro parece tão distante. Não está nas pessoas ao meu redor, nem no trabalho, no dinheiro ou em coisas novas, não está no blog ou no meu armário. Não está em quem pensei ser meu amor. Não está no quarto ou na flor, nem na música. Não está nos vídeos ou nos filmes e nem no jeito que me visto ou dou risada. Não está na batida do meu coração e nem no ar que bate em minha cara quando estou na janela do carro. Não está no bolo de fubá e café ou no chão limpinho, ou na coberta cheirosa. Também não está no banho quente, no sono da tarde ou no livro interessante. Não está no beijo de alguém ou na conversa jogada fora, e nem nas ruas de uma sexta feira. Nem no churrasco de família, e também não está no sorvete de menta ou no brigadeiro de panela. Não encontrei no vestido novo ou nas cores do céu. Até pensei que estava escondido nas poesias dos olhos de uma criança, mas a beleza de lá é sensível e inocente, não é a que procuro. Não encontrei nas palestras de filosofia e nem nas pessoas que transmitem inspiração, nem na religião. Nem em minhas lágrimas ou na minha dança, e muito menos na bebida. Não encontrei. E passarei a vida a encontrar, pra no final tudo o que chegou perto me lembrar de como eu já tinha tudo, e tudo já me tinha. Vivo a procurar, mas não tenho pressa. Saber que há algo que meu eu deseja tanto, que mal sabe o que é, me deixa em equilíbrio de que existe bem mais do que aqui, bem mais do que a esquina, o mundo ou as estrelas. Sem paredes, sem telhado ou códigos. Sem um limite ou uma definição. O que procuro está dormindo em mim esperando acordar, me rasgar e sair voando.

0 comentários:

Deixe seu comentário